Breve Histórico sobre GIBIS - Década de 1950

Autor: Afonso - contato: 70anosdegibis@gmail.com 

Os primeiros registros neste módulo ocorreram em 03/2014.

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Introdução:

 

## Os anos 50 tiveram início com a expectativa de novos e melhores tempos, buscando o mundo todo esquecer o conflito mundial que terminara cinco anos antes, mas cujos efeitos danosos perduravam até então. Tentava-se, na verdade, reconstruir o mundo. Foi realmente um período de consolidação da reconstrução iniciada tão logo terminou o conflito em 1945

Como quase uma confirmação de que o homem não consegue um convívio de paz, ainda restavam os conflitos na chamada "Indochina", região que englobava Vietnã, Laos e Cambodja, e que vinham dos últimos anos 40, envolvendo o exército francês, além da "Guerra da Coréia" que mantinha o principal exército do mundo - o americano - em prontidão e em ação.  

Mesmo com todo o mal decorrente da Guerra Mundial o mundo agora se beneficiava da evolução tecnológica alcançada no decorrer do gigantesco conflito, cuja indústria esteve voltada naquele momento para o desenvolvimento de armas, e dos meios de comunicação e de transporte para as forças armadas. Assim, uma vez modificado o panorama de consumo, não mais havendo o estado de guerra mundial, a indústria em geral encontrava-se completamente dedicada ao bem-estar da população. 

## E, se dependessemos dos queridos heróis dos quadrinhos, nada precisávamos temer. Todos - Capitão Marvel, Capitão América, Tarzan, Fantasma, Mandrake, Red Ryder (Nevada, ou Bronco Piller, ou O Cavaleiro Vermelho), Gene Autry, Rex Allen, Monte Hale, Roy Rogers, Flecha Ligeira, Don Chicote, Búfalo Bill, Rocky Lane, Kit Carson, Durango Kid, Hopalong Cassidy, Cavaleiro Negro, Zorro, Cavaleiro Fantasma, Superman, Batman, Rin-Tin-Tin, Lassie, e muitos, muitos outros - estavam prontos a nos proporcionar a melhor década que tivemos no Brasil, no que se refere à diversidade e à riqueza de gibis disponíveis no mercado.

Posso afirmar que o final dos anos 1940 e toda a década de 1950, constituem o período da "explosão do Far-West (Oeste americano) no Brasil", com incontáveis personagens, tanto no cinema quanto nos quadrinhos e, num segundo momento, já no final dos anos 50, nas séries de TV. 

 

Abordagem:

 

## Uma das primeiras lembranças que tenho de meu envolvimento com os gibis remonta aos primeiros anos da década, possivelmente a partir de 1954, quando eu travei conhecimento com o Capitão Marvel, este mesmo da figura que ilustra este tópico, logo abaixo. Eu lia várias vezes o mesmo gibi e passava horas imaginando como seria realmente aquele mundo onde ele vivia. São lembranças muito boas. 

De grata lembrança é também o super-herói O Escaravelho Azul, que aparecia em interessantes aventuras nas páginas de Capitão Marvel, isto é, não tinha um gibi próprio. Esse herói, ao longo do tempo, foi batizado de O Besouro Azul, mas não evoluiu como se esperava; hoje poucos o conhecem. 

 
               O Capitão Marvel de minha infância                          O Escaravelho Azul
                    /album/galeria-de-fotos/icapit%c3%a3o-marvel-jpg/            
                                  www.pinterest.com                                              www.wikipedia.com
 

## Foi um tempo de muitas glórias, principalmente para os gibis com heróis do Velho Oeste americano, diante da maciça produção de filmes e seriados ambientados no Far-West (faroeste), como já citei acima. Era uma relação interessante entre os gibis e os seriados, cujos heróis estavam em um e em outro lugar - na tela e no gibi. Isto acabou por criar um costume muito peculiar: íamos para as matinês do cinema assistir as aventuras de nossos heróis, mas íamos devidamente munidos de seus gibis, os quais, naquele momento, se tornavam objeto de animada e concorrida troca entre a meninada.

 
            Abaixo um belíssimo quadrinho de Fred Harman para Nevada                O valoroso Don Chicote 
                       (Cavaleiro Vermelho - aqui com Castorzinho)                                  (Lash LaRue)
                                       Uma verdadeira pintura    
              /album/galeria-de-fotos/don-chicote-rge-n%c2%ba-48-dezembro-1958-jpg1/
                                                              pintura: www.lanabird.com
   
             Durango Kid (O Herói)                     Monte Hale (Superxis)                      Kit Carson (O Herói)        
                     
                                                      Os quatro gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis
 

Exemplos de publicações do início desse período, no Brasil, são algumas revistas da EBAL - Editora Brasil América Ltda: Epopéia, Álbum Gigante, Série Sagrada e Invictus, bastante acadêmicas, que apresentavam desenhos tão claros e cuidadosamente detalhados que, sem exageros, tinham muitas semelhanças com fotografias. Essas publicações tinham por objetivo principal, elevar o patamar dos quadrinhos, tidos até então como leitura de segunda categoria, portanto, a tentativa era de mostrá-los como disseminadores de cultura. Epopéia, posteriormente - já na década de 1960 - ressurgiu em formato reduzido, publicando aventuras do Velho Oeste americano e sobreviveu durante longo tempo, transformando-se, inclusive, em "Epopéia Tri", dentro da mesma concepção.

Adolfo Aizen, que tinha um espírito altamente agregador, e dentro do que conhecia de "marketing" naquela época, promovia constantes visitas de estudantes às instalações da Ebal, como forma de mostrar-lhes como eram feitas as revistas, principalmente os quadrinhos e, assim, obter a simpatia de cada um, aumentando sua penetração e investindo no que seriam "os novos clientes" e, em consequência, incrementando o faturamento da editora. 

## Em julho de 1950, a Editora Abril lançou, no Brasil, O Pato Donald, criação de Walt Disney que, com seus inúmeros personagens, como Mickey, Pateta, Tio Patinhas e Zé Carioca, entre outros, alcançou estrondoso sucesso. O resultado alcançado possibilitou, ao longo do tempo, a editoração de inúmeras "revistinhas" que continuam agradando crianças e adultos até hoje. Com o passar dos tempos, os personagens, assim como O Pato Donald e Mickey, foram adquirindo vida própria, ou seja, cada um deles, Tio Patinhas, Pateta, Zé Carioca, Margarida, Peninha, etc, passaram a ter um gibi com seu próprio nome. 

                   O 1º gibi Pato Donald                        Tio Patinhas                                 O Pato Donald
                             
                          Os dois gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis                                   www.pinterest.com
 

## A indústria dos quadrinhos alcançava, então, altos índices de vendagem. Novas revistas, aproveitando o sucesso dos personagens em seus países de origem, surgiam a todo momento. Alguns representantes dos quadrinhos dessa época, vindos das décadas anteriores, 1930 e 40, e que continuaram fazendo enorme sucesso, foram: O Fantasma, Cavaleiro Negro (Black Rider) e Mandrake. Além deles, podemos citar: Águia Negra, Flecha Ligeira, Rocky Lane, O Príncipe Valente, Robin Hood, Don Chicote e Búfalo Bill, gibis publicados pela RGE, muito procurados. 

                                   Rocky Lane                                   Búfalo Bill
                                   
                                                                       Acervo: www.70-anos-de-gibis

## Águia Negra era um personagem intrigante. Pouco se sabia sobre ele. Muito parecido com O Fantasma, vivia grandes aventuras na era medieval e as capas de seus gibis eram todas muito bem desenhadas, talvez por isso fosse tão valorizado entre a meninada da época. Há registros de que se originou na Austrália e teria sido, realmente, baseado em O Fantasma. 

                                   Águia Negra                              O Fantasma
                                              (verdadeiros "Irmãos de Sangue")
                                       
                                            Acervo: www.70-anos-de-gibis
 

## Outro personagem que merece destaque especial é O Príncipe Valente, criação imortal de Harold Foster no final dos anos 1930, cujos gibis (alguns encadernados com capa-dura, semelhantes a livros), eram um misto de romance e de quadrinhos cuidadosamente desenhados. O filme, com o ator Robert Wagner no papel título, lançado na década de 1950, levou legiões de admiradores aos cinemas.

Na sua esteira vieram os quadrinhos publicados pela RGE, com uma fidelidade impressionante à história original - ambientada "nos tempos do Rei Arthur" e dos lendários Cavaleiros da Távola Redonda - o que fez com que se tornasse conhecida em todo o mundo. E, por incrível que possa parecer, ainda hoje, já no século XXI, continuam as reedições desse grande clássico das histórias em quadrinhos, um gibi sempre disputado pelos incontáveis colecionadores

Gibi da Dell publicado nos USA, com o ator Robert Wagner            Abaixo, belíssimo quadrinho                  

                  na capa, como o Príncipe Valente                            Valente  em ação ... -  Hal Foster

 
                                                    /album/galeria-de-fotos/hall-foster-magnifico-quadrinho-o-principe-valente-gif/

          Capa gentilmente pelo internauta Luis Peix-RJ                                         www.pinterest.com

                                               

O Príncipe Valente sempre recebeu um tratamento especial, tendo sido publicado em diversos idiomas, nos mais variados formatos e por inúmeras editoras, tanto em valiosos volumes de capa dura, muito bem encadernados, quanto em gibis convencionais.

## Vamos agora falar de outro notável personagem. Possivelmente, um dos mais perfeitos personagens já desenhados para os quadrinhos, tenha sido Cisco Kid, concepção do incrível José Luis Salinas, um dos maiores ilustradores de que se tem notícia. Cisco Kid vive aventuras que parecem montadas com fotografias, tal a riqueza de detalhes, sombras e um incrível perfeccionismo que se observa em cada uma das cenas desenhadas. 

 
              Cisco Kid - Brasil - de José Luis Salinas                    Uma bela página de uma outra edição (Mexicana)
                                                            
                        Acervo: www.70-anos-de-gibis                                                          www.pinterest.com
 

É um dos momentos mais marcantes da história dos quadrinhos. Salinas não se limitou aos quadrinhos, sabemos todos nós, ilustrou livros e produziu uma enorme quantidade de desenhos com enfoques diversos, notadamente com enfoque militar. 

                                      Vejam o magnífico desenho de Salinas para Robin Hood

                                              

                                                                              http://dbimaginarte.blogspot.com.br/

           

## E eis que, também nos USA, Charles M. Schulz (1922 - 2000) cria a turminha que ficou conhecida inicialmente por "Peanuts" (Minduim) e depois como "A Turma do Charlie Brown", com enorme sucesso em todo o mundo. O cãozinho "Snoopy" nas décadas seguintes, alcançou tamanho sucesso que, praticamente, se transformou no mais forte símbolo da Turma.

                    Abaixo, Charlie Brown, Lucy, o passarinho Woodstock e Snoopy

                                                filosofando no alto de seu telhado

                                           https://maroma.wordpress.com

 

## É nessa época - década de 1950 - que surge no Brasil, um herói genuinamente brasileiro, mas com forte influência do Velho Oeste americano: Jerônimo, o Herói do Sertão, também publicado pela RGE. Jerônimo era um personagem essencialmente rural e sobreviveu exatamente até o momento em que o país voltou-se para a industrialização, desaparecendo em pouco tempo. Ficou apenas na memória de quem viveu à época e nas páginas de seus gibis, hoje disputados pelos colecionadores. 

 
                                 Jerônimo - O Herói do Sertão (um herói brasileiro)
                                       
                                     Os dois gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis
 

Personagens criados por Moysés Weltman, Jerônimo e Moleque Saci, paladinos da justiça e da ordem, defendiam os fracos e oprimidos nos confins do sertão brasileiro, e alcançaram expressivo sucesso não só editorial, mas também radiofônico, já que suas aventuras eram transmitidas pela Rádio Nacional, numa rádio-novela, programação muito popular naquela época, principalmente no interior do país. 

## A TV brasileira iniciava seus primeiros passos e começava, lentamente, a penetrar nos lares da classe média trazendo em sua programação, seriados de aventuras já conhecidos em decorrência de algumas publicações existentes, como: Zorro (The Lone Ranger) e Roy Rogers, e da identificação dos leitores com os atores que apareciam nas capas dos diversos gibis: Aí Mocinho!, Cinemin, Superxis, O Herói e Reis do Faroeste, entre outras. 

                          Zorro - The Lone Ranger            Cinemin - Moby Dick
                                
                                   Os dois gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis
 

## Lado a lado com elas, outras publicações de grande identificação com o público, também faziam muito sucesso, tais como: Rin Tin Tin, Lassie, Super Homem (Superman) e Batman. Havia leitores e fãs para todos os gibis. As editoras atravessavam uma fase muito favorável graças aos quadrinhos. Valem ser citados também: As Aventuras do Anjo, Charlie Chan, Pinduca, Os Sobrinhos do Capitão, Popeye, Pica-Pau, Pernalonga, Pimentinha, Luluzinha e Bolinha.   

         Rin Tin Tin - Ebal              Rin Tin Tin - Dell                   Lassie - Ebal
        
                                Os três gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis
 

## Tarzan foi um caso especial. O herói, criado por Edgard Rice Burroughs, já fazia sucesso há muito tempo e, enquanto aparecia nos vários filmes estrelados por Johnny Weissmuller (desde a década de 1930), Lex Barker e Gordon Scott, brilhava nos quadrinhos, em gibis que reproduziam em suas coloridas capas, expressivas e elaboradas fotos desses astros, a maioria delas retratando cenas de seus inúmeros filmes. Há pouco tempo consegui catalogar 49 filmes sobre Tarzan, entre longas metragens mudos e com som, considerando também animações.

 
                    Tarzan - Dell - Gordon Scott             Tarzan - Ebal  Capa Lex Barker
                                          
                                         Os dois gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis

Tarzan é um exemplo típico de personagem duradouro. Passou incólume por décadas e décadas do século XX e, até hoje, é cultuado com um dos grandes heróis dos quadrinhos, tendo sido personagem, também, de vários filmes e seriados protagonizados por outros astros além dos três já citados. Mesmo com o aparecimento de inúmeros outros heróis, inclusive dos imbatíveis super-heróis interplanetários, dotados de poderes incomuns, Tarzan ocupa, até hoje, uma lugar muito especial na mente de todos aqueles que amam os quadrinhos. 

Inúmeros desenhistas dedicaram-se a desenhá-lo, e Tarzan, nos quadrinhos, atravessou os últimos setenta ou oitenta anos alegrando seus leitores (a história de Tarzan já fez 100 anos em 2012). A poderosa Disney, já em tempos mais recentes, produziu um popular desenho animado sobre suas aventuras na selva africana, o que o tornou ainda mais conhecido pelas gerações mais jovens. 

## A quadrinização de filmes, principalmente no gibi Cinemin, foi outro grande sucesso nesse período: década de 1950 e mesmo no início dos anos 60Cinemin cumpria um papel interessante nessa época, ou seja, era uma espécie de DVD ou Blu-ray, ou mesmo das hoje super-ultrapassadas fitas VHS, pois não havia como "rever" um filme qualquer, a não ser pelas páginas desses gibis, já que demoravam a ser reapresentados no cinema e havia pouca possibilidade de aparecerem na TV. Alguns anos mais tarde, como veremos mais adiante, já na década de 1960, a Editora Ediex lançou uma série de gibis, mas não mais quadrinizados, e sim com fotos em preto-e-branco dos filmes, cujos gibis alcançaram grande sucesso junto ao público.

Editado pela Ebal, Cinemin publicou, desde o início da década, uma extensa lista de filmes, com muito boa qualidade gráfica, entre eles: Helena de Tróia, Moby Dick, Os Cavaleiros da Távola Redonda, Ben-Hur, Os Dez Mandamentos, Da Terra Nascem os Homens, Duelo de Titãs, Orgulho e Paixão, Gatilho Relâmpago, Rio Bravo - Onde Começa o Inferno, Rastros de Ódio, Marcha de Heróis, Alexandre o Grande e Um de nós Morrerá.  

 
                    Gatilho Relâmpago - Glenn Ford          Marcha de Heróis - John Wayne / William Holden
                                                         
                                                   Os dois gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis
 

## Outras editoras procuravam atuar no mercado, além da Ebal e RGE que, seguramente, o dominavam. A La Selva Editores já havia alcançado grande sucesso com Aventuras Heróicas, publicação lançada em 1954 e que trazia a quadrinização de romances famosos de autores brasileiros, como: Iracema, O Guarani, e outros. Mais tarde especializou-se em quadrinhos de terror/horror, com um público bastante específico, cujas publicações tornaram-se muito populares. 

## Um detalhe também digno de registro era a qualidade das capas dos quadrinhos dessa época. Quando não traziam desenhos bastante ricos e coloridos - alguns são verdadeiras pinturas - reproduziam, como já citado, fotos de atores populares, muitas vezes em cenas de filmes e séries de TV. Como exemplo, podem ser lembradas as capas de Zorro, Lassie, Rin-Tin-Tin, Roy Rogers, Flecha Ligeira, Hopalong Cassidy, Nevada (Red Ryder), Rocky Lane, Gene Autry, Reis do Faroeste, Aí Mocinho!, O Herói, Superxis, Cinemin e, é claro, Tarzan.

 
                                                            Algumas Capas - Verdadeiras obras de arte : 
                                                  Flecha Ligeira - RGE               Hopalong Cassidy - La Selva
                                            

                                                            Os dois gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis   

## Inúmeros outros heróis, principalmente aqueles do Velho Oeste americano povoavam as páginas desses gibis. Entre eles, podemos citar: Buck Jones, Tim Holt, Bill Elliott, Billy The Kid (Bill Kid ou Billy Kid), Matt Dillon, Bill Dinamite, Kid Colt, Rex Allen, Wild Bill Hickock, David Crocket e Daniel Boone

                                                  Rex Allen                                       Kid Colt
                                                 
                                                  Os dois gibis - Acervo: www.70-anos-de-gibis

## Personagens secundários, geralmente incluídos para completar as páginas dos gibis, caíram no agrado do público infanto-juvenil e muitos deles contribuiam, também, para a procura desses gibis, como é o caso, entre outros, de: "O Escaravelho Azul" (já citado) nos gibis do Capitão Marvel, "Irmãos de Lança" e "Turok" no gibi do Tarzan, "Arqueiro Verde" no gibi Superman, "Castorzinho" no gibi Nevada (Red Ryder, Bronco Piller) e "Falcão Ligeiro" no gibi Zorro. No gibi O Pato Donald tínhamos, com certa frequência, a presença de Hawita, um simpático indiozinho, do cachorrinho Banzé e dos esquilos Tico e Teco, entre outros.

 
                                                 No gibi Nevada - Castorzinho                           No O Pato Donald - Hawita
                                   /album/galeria-de-fotos/hawita-o-pato-donald-1952-jpg/
                  Acervo: www.70-anos-de-gibis  
 

## Consolida-se no final da década, a parceria Hanna Barbera, nos USA, configurando-se como uma poderosa produtora de quadrinhos, histórias infantis, seriados de TV e filmes. Os personagens criados - Zé Colmeia, Catatau, Pepe Legal, Babalu, o Leão da Montanha, a Turma da Corrida Maluca, Manda Chuva, Lippy e Hardy, e dezenas de outros, passaram a fazer parte do mundo mágico da meninada na época, adentrando pela década de 1960 com grande penetração. 

                                                                            Hanna-Barbera
                                           O Leão da Montanha                           Manda-Chuva e sua "gang"

                           

                                                                        https://maroma.wordpress.com
 

## E é exatamente no final dos anos 50, segundo semestre de 1959, que surgem os primeiros desenhos de um cartunista brasileiro, Maurício de Sousa, até então desconhecido do público, apresentando os personagens Bidu e Franjinha, e que fariam grande sucesso. Nas décadas seguintes, como veremos, Maurício de Sousa desenvolveu uma série de outros personagens, transformando-se no principal produtor de histórias em quadrinhos brasileiras, disseminando seus agradáveis personagens infantis pelo mundo todo. 

 
                                                  Bidu e Franjinha, do brasileiro Maurício de Sousa
                                                              
                                                                       quadro-a-quadro.blog.com
 

Conclusão:

Os anos  50, de certa forma, foram especiais para o Brasil, no segmento dos quadrinhos. Talvez pelo momento que vivia o país, a exemplo de muitos outros, visto que a década anterior foi uma das mais difíceis que o mundo já enfrentou em decorrência do conflito mundial, havia uma contagiante euforia em relação ao futuro. E os quadrinhos foram inseridos nesse contexto, com o aproveitamento desse "espírito construtivo", integrando-se à vida de cada um. 

Aos poucos, no Brasil, deixávamos para trás a ideia de um "país essencialmente agrícola" e caminhávamos a largos passos para a industrialização, com um grande contingente populacional dirigindo-se para os centros maiores, portanto, candidatando-se ao acesso às novidades, a produtos aos quais antes não tinha acesso, entre eles os gibis e as publicações de toda natureza. 

Foi um período áureo para os quadrinhos no Brasil em que EbalRGE, Editora Vecchi, Editora O Cruzeiro e Editora Abril, além de outras, entregavam diariamente às bancas, novos exemplares e também lançavam, constantemente, novos personagens e novos gibis/revistas. 

Uma época que realmente fez história.                                              

Terminava, assim, um período dos mais significativos para os quadrinhos no Brasil. 

Os anos 60 estavam chegando e muita coisa boa viria pela frente. 

 
 
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- FIM DO MÓDULO

- CONTINUA NO MÓDULO: Breve Histórico sobre GIBIS - Década de 1960.