Breve Histórico sobre GIBIS - (Brief History About COMIC BOOKS)

- Década de 1950 (1950's)

                                                            Década de 50 - Anos de LUZ !!!
                                          

                                                         www.marthapeopleshotography.com 

 

Autor: Afonso - e-mail de contato: e70anosdegibis@yahoo.com 

Os primeiros registros neste módulo ocorreram em 03/2014.

Registre, por favor, seus comentários pelos ícones "Contate-nos" ou "Livro de Visitas".    

..........................................................................................................................................................................

 

Introdução:

 

## Os anos 1950 tiveram início com a expectativa de novos e melhores tempos, buscando o mundo todo esquecer o conflito mundial que terminara cinco anos antes. Tentava-se, na verdade, reconstruir o mundo. Foi realmente um período de consolidação da reconstrução iniciada tão logo terminou o conflito em 1945

Como quase uma confirmação de que o homem não consegue um convívio de paz, ainda restavam os conflitos na chamada "Indochina", região que englobava Vietnã, Laos e Cambodja, e que vinham dos últimos anos 40, envolvendo o exército francês, além da "Guerra da Coréia", que mantinham o principal exército do mundo - o americano - em prontidão e em ação.  

Mesmo com todo o mal decorrente da Guerra Mundial o mundo agora se beneficiava da evolução tecnológica alcançada no decorrer do gigantesco conflito, cuja indústria esteve voltada naquele momento para o desenvolvimento de armas, e dos meios de comunicação e de transporte para as forças armadas. Assim, uma vez modificado o panorama de consumo, não mais havendo o estado de guerra mundial, a indústria em geral encontrava-se completamente dedicada ao bem-estar da população. 

## E, se dependessemos dos queridos heróis dos quadrinhos, nada precisávamos temer. Todos - Capitão Marvel, Capitão América, Flash Gordon, Jim das Selvas, Tarzan, Nyoka, Sheena, O Fantasma, Mandrake, Red Ryder (Nevada, ou Bronco Piller, ou O Cavaleiro Vermelho), Gene Autry, Rex Allen, Monte Hale, Roy Rogers, Flecha Ligeira, Don Chicote, Búfalo Bill, Rocky Lane, Kit Carson, Durango Kid, Hopalong Cassidy, Cavaleiro Negro, Zorro, Cavaleiro Fantasma, Superman, Batman, Rin-Tin-Tin, Lassie, e muitos, muitos outros - estavam prontos a nos proporcionar a melhor década que tivemos no Brasil, no que se refere à diversidade e à riqueza de gibis disponíveis no mercado.

 
                               Durango Kid, grande cowboy da década 
                                         Interpretado no cinema por Charles Starrett
                                                  www.imdb.com
 

Posso afirmar que o final dos anos 1940 e toda a década de 1950, constituem o período da "explosão do Far West (Oeste americano) no Brasil", com incontáveis personagens, tanto no cinema quanto nos quadrinhos e, num segundo momento, já no final dos anos 50, nas séries de TV, estendendo-se pela década de 60. Um detalhe a respeito das séries é que elas eram produzidas e exibidas na TV americana e, na maioria das vezes, só depois de alguns anos vinham para o Brasil. Dessa forma, havia uma grande defasagem entre a produção de um episódio e sua apresentação na TV brasileira.

 

Abordagem:

 

## Uma das primeiras lembranças que tenho de meu envolvimento com os gibis remonta aos primeiros anos da década, possivelmente a partir de 1954, quando eu travei conhecimento com o Capitão Marvel, este mesmo da figura que ilustra este tópico, logo abaixo. Eu lia várias vezes o mesmo gibi e passava horas imaginando como seria realmente aquele mundo onde ele vivia. São lembranças muito boas. 

De grata lembrança é também o super-herói O Escaravelho Azul, que aparecia em interessantes aventuras nas páginas de Capitão Marvel, isto é, não tinha um gibi próprio. Esse herói, ao longo do tempo, foi batizado de O Besouro Azul, mas não evoluiu como se esperava; hoje poucos o conhecem. 

 
              Capitão Marvel de minha infância                                O Escaravelho Azul
                 /album/galeria-de-fotos/icapit%c3%a3o-marvel-jpg/                    
                          www.pinterest.com                                          www.wikipedia.com
 

## Foi um tempo de muitas glórias, principalmente para os gibis com heróis do Velho Oeste americano, diante da maciça produção de filmes e seriados ambientados no Far West (faroeste), como já citei acima. Era uma relação interessante entre os gibis e os seriados, cujos heróis estavam em um e em outro lugar - na tela e no gibi. Isto acabou por criar um costume muito peculiar: íamos para as matinês do cinema assistir as aventuras de nossos heróis, mas íamos devidamente munidos dos valiosos gibis, os quais, naquele momento, se tornavam objeto de animada e concorrida permuta entre a meninada.

 
               Abaixo um belíssimo quadrinho de Fred Harman                             O valoroso Don Chicote 
                 para Nevada (Cavaleiro Vermelho - aqui com 
                     Castorzinho)  -  Uma verdadeira pintura                                              (Lash LaRue)
                                        
             /album/galeria-de-fotos/don-chicote-rge-n%c2%ba-48-dezembro-1958-jpg1/
                             pintura: www.lanabird.com                                        Gibi de meu acervo:70anosdegibis
 
                                                    
           Durango Kid (O Herói)                   Monte Hale (Superxis)                        Kit Carson (O Herói)        
                  
                                            Imagens de gibis do meu acervo: https://70-anos-de-gibis
 

Exemplos de publicações do início desse período, no Brasil, são algumas revistas da EBAL - Editora Brasil América Ltda: Epopéia, Álbum Gigante, Série Sagrada e Invictus, bastante acadêmicas, que apresentavam desenhos tão claros e cuidadosamente detalhados que, sem exageros, tinham muitas semelhanças com fotografias. Essas publicações tinham por objetivo principal, elevar o patamar dos quadrinhos, tidos até então como leitura de segunda categoria, portanto, a tentativa era de mostrá-los como disseminadores de cultura. Epopéia, posteriormente - já na década de 1960 - ressurgiu em formato reduzido, publicando aventuras do Velho Oeste americano e sobreviveu durante longo tempo, transformando-se, inclusive, em "Epopéia Tri", dentro da mesma concepção.

Adolfo Aizen, que tinha um espírito altamente agregador, e dentro do que conhecia de "marketing" naquela época, promovia constantes visitas de estudantes às instalações da Ebal, como forma de mostrar-lhes como eram feitas as revistas, principalmente os quadrinhos e, assim, obter a simpatia de cada um, aumentando sua penetração e investindo no que seriam "os novos clientes" e, em consequência, incrementando o faturamento da editora. 

## Mort Walker, americano, cria o Recruta Zero (Beetle Bailey) inicialmente como um jovem estudante universitário, mas não obtém o sucesso esperado. Como os USA haviam sido envolvidos no conflito "Guerra da Coréía", decidiu alistá-lo no exército e isso alavancou fortemente o personagem, dando-lhe uma nova dimensão e transformando-o no grande sucesso que perdura até hoje. 

                                     O atrapalhado Recruta Zero, herói ao contrário
                                                                  
                                                               
                                                              http.it.paperblog.com
 

## Em julho de 1950, a Editora Abril lançou, no Brasil, O Pato Donald, criação de Walt Disney que, com seus personagens, como Mickey, Minnie, Pateta, Pluto, Margarida, Tio Patinhas e Zé Carioca, entre outros, alcançou estrondoso sucesso. O resultado alcançado possibilitou, ao longo do tempo, a editoração de inúmeras "revistinhas" que continuam agradando crianças e adultos até hoje. Dois anos depois, surge o Professor Pardal, criação de Carl Barks para a Disney, que teve grande aceitação dos leitoresCom o passar dos tempos, os diversos personagens, assim como O Pato Donald e Mickey, iriam adquirindo vida própria, ou seja, cada um deles passaria a ter um gibi com seu próprio nome, mesmo os mais recentes, como Urtigão e Peninha

 
          O 1º gibi Pato Donald                           Tio Patinhas                                    O Pato Donald
                          
          Os dois gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis                      www.pinterest.com
 

## Dos estúdios de Walt Lantz, nos USA, responsáveis por memoráveis desenhos animados, muitos deles "estrelados" por Andy Panda e O Pica-Pau, já citados nos comentários das décadas de 1930 e 1940, surge Picolino (Chilly Willy), o carismático pinguim que fez (e ainda) faz muito sucesso.

 
                                                              Picolino (Chilly Willy)
 
                                       
                                  www.google.com                                      www.imdb.com
 

## A indústria dos quadrinhos alcançava, então, altos índices de vendagem. Novas revistas, aproveitando o sucesso dos personagens em seus países de origem, surgiam a todo momento. Alguns representantes dos quadrinhos dessa época, vindos das décadas anteriores, 1930 e 40, e que continuaram fazendo enorme sucesso, foram: O Fantasma, Cavaleiro Negro (Black Rider) e Mandrake. Além deles, podemos citar: Águia Negra, Flecha Ligeira, Rocky Lane, O Príncipe Valente, Robin Hood, Don Chicote e Búfalo Bill, gibis publicados pela RGE, muito procurados.

 
                                        Rocky Lane                                                    Búfalo Bill
                                   
                                 Ambos os gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis
 

## Águia Negra era um personagem intrigante. Pouco (praticamente nada) se sabia sobre ele. Muito parecido com O Fantasma, vivia grandes aventuras na era medieval e as capas de seus gibis eram todas muito bem desenhadas, talvez por isso fosse tão valorizado entre a meninada da época. Há registros posteriores de que se originou na Austrália, com o nome de Sir Falcon,  e teria sido, realmente, baseado em O Fantasma. São mesmo muito parecidos!!!

          
                                        Águia Negra                                                O Fantasma
                                                         (verdadeiros "Irmãos de Sangue")
                                        
                                  Ambos os gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis
 

## Outro personagem que merece destaque especial é O Príncipe Valente, criação imortal de Harold Foster no final dos anos 1930, cujos gibis (alguns encadernados com capa-dura, semelhantes a livros), eram um misto de romance e de quadrinhos cuidadosamente desenhados. O filme, com o ator Robert Wagner no papel título, lançado na década de 1950, levou legiões de admiradores aos cinemas.

Na sua esteira vieram os quadrinhos publicados pela RGE, com uma fidelidade impressionante à história original - ambientada "nos tempos do Rei Arthur" e dos lendários Cavaleiros da Távola Redonda - o que fez com que se tornasse conhecida em todo o mundo. E, por incrível que possa parecer, ainda hoje, já no século XXI, continuam as reedições desse grande clássico das histórias em quadrinhos, um gibi sempre disputado pelos incontáveis colecionadores

    Gibi da Dell publicado nos USA, c/o ator             Abaixo, um belíssimo quadrinho

        Robert Wagner - o Príncipe Valente                   Valente  em ação. -  Hal Foster                            

                          /album/galeria-de-fotos/hall-foster-magnifico-quadrinho-o-principe-valente-gif/

Capa cedida pelo internauta Luis Peix-RJ                                www.pinterest.com

                                               

O Príncipe Valente sempre recebeu um tratamento especial, tendo sido publicado em diversos idiomas, nos mais variados formatos e por inúmeras editoras, tanto em valiosos volumes de capa dura, muito bem encadernados, quanto em gibis convencionais.

## Vamos agora abordar um outro notável personagem. Possivelmente, um dos mais perfeitos já desenhados para os quadrinhos, tenha sido Cisco Kid, concepção de José Luis Salinas, argentino, radicado nos USA, um dos maiores ilustradores da época - anos 50. Assim, Cisco Kid vive aventuras que parecem montadas com fotografias, tal a riqueza de detalhes, sombras e um incrível perfeccionismo que se observa em cada uma das cenas desenhadas.  

Cisco Kid, sabe-se, é um personagem antigo, surgido em um "book" de 1914, mas só foi aproveitado para os quadrinhos a partir de 1951, exatamente por Salinas. Nas décadas de 1930/40 foi levado algumas vezes ao cinema e, na década de 1950, teve uma longa série de TV nos USA (com Duncan Renaldo como Cisco Kid).  No cinema foi interpretado, inicialmente, por Cesar Romero, e, posteriormente, por Duncan Renaldo e por Gilbert Roland. No Brasil, só foi possível ver sua série de TV já no final dos anos 60 e década de 1970.

 
     Cisco Kid - Brasil - de José Luis Salinas                   Página de uma edição Mexicana
                                
Gibi do meu acervo: https://70-anos-de-gibis                                www.pinterest.com
 

É um dos momentos mais marcantes da história dos quadrinhos. Salinas não se limitou aos quadrinhos, sabemos todos nós, ilustrou livros e produziu uma enorme quantidade de desenhos com enfoques diversos, notadamente com enfoque militar. 

Magnífico desenho de Salinas para Robin Hood             E, abaixo, Bufalo Bill

            

                                                               https://dbimaginarte.blogspot.com.br/                              

## Algumas publicações, principalmente dos USA, nos chegavam por amigos ou parentes, uma vez que não existiam por aqui, como era o caso de Rawhide, já por volta de 1959, reproduzindo a série de TV estrelada por Clint Eastwood, no início de sua carreira, e por Eric Fleming, e que também não era exibida no Brasil.

 
                                        Rawhide                                              Página de uma outra edição
               
                                www.google.com                                           pencilink.blogspot.com.br       
                              

## E eis que, também nos USA, Charles M. Schulz (1922 - 2000) cria a turminha que ficou conhecida inicialmente por "Peanuts" (Minduim) e depois como "A Turma do Charlie Brown", com enorme sucesso em todo o mundo. O cãozinho "Snoopy" nas décadas seguintes, alcançou tamanho sucesso que, praticamente, se transformou no mais forte símbolo da Turma.

 Abaixo, Charlie Brown, Lucy, Woodstock e Snoopy

                  filosofando no alto de seu telhado                                 Charlie Brown e Snoopy

   

                      https://maroma.wordpress.com                                           www.google.com

 

## Na França (e Bélgica), graças à impressionante criatividade de cartunistas e desenhistas franco-belgas, surgem personagens importantes para os quadrinhos, muitos deles publicados na revista "Jornal do Spirou" (que publicava os personagens Spirou e Fantasio), entre os quais destaco "Jerry Spring", curiosamente um personagem do Velho Oeste americano, hoje considerado, indiscutivelmente, a obra-prima de seu criador: Jijé. Vale registrar que Jerry Spring teve publicações originadas em Portugal, mas que chegaram até nós, no Brasil, muito tempo depois, já nas décadas de 1970 e 1980. 

## É nessa época - década de 1950 - que surge no Brasil, um herói genuinamente brasileiro, mas com forte influência do Velho Oeste americano: Jerônimo, o Herói do Sertão, também publicado pela RGE. Jerônimo era um personagem essencialmente rural e sobreviveu exatamente até o momento em que o país voltou-se para a industrialização, desaparecendo em pouco tempo. Ficou apenas na memória de quem viveu à época e nas páginas de seus gibis, hoje disputados pelos colecionadores. 

 
                                         Jerônimo - O Herói do Sertão (um herói brasileiro)
                                  
                                     Ambos os gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis
 

Personagens criados por Moysés Weltman, Jerônimo e Moleque Saci, paladinos da justiça e da ordem, defendiam os fracos e oprimidos nos confins do sertão brasileiro, e alcançaram expressivo sucesso não só editorial, mas também radiofônico, já que suas aventuras eram transmitidas pela Rádio Nacional, numa rádio-novela, programação muito popular naquela época, principalmente no interior do país. Na mesma linha de sucesso radiofônico e nos gibis, tínhamos também, "As Aventuras do Anjo" de Álvaro Aguiar. Tanto em relação a Jerônimo, quanto a O Anjo, tenho gibis publicados no módulo "Produtos - Acervo", com comentários, e se constituem em verdadeiras jóias do universo dos gibis, dignificando sobremaneira a produção brasileira de quadrinhos. São duas publicações preciosas !!! 

## A TV brasileira iniciava seus primeiros passos e começava, lentamente, a penetrar nos lares da classe média trazendo em sua programação, seriados de aventuras já conhecidos em decorrência de algumas publicações existentes, como: Zorro (The Lone Ranger) e Roy Rogers, e da identificação dos leitores com os atores que apareciam nas capas dos diversos gibis: Aí Mocinho!, Cinemin, Superxis, O Herói e Reis do Faroeste, entre outras. 

 
                            Zorro - The Lone Ranger                                  Cinemin - Moby Dick
                                   
                                   Ambos os gibis são do meu acervo  https://70-anos-de-gibis
 

## Lado a lado com elas, outras publicações de grande identificação com o público, também faziam muito sucesso, tais como: Rin Tin Tin, Lassie, Super Homem (Superman) e Batman. Havia leitores e fãs para todos os gibis. As editoras atravessavam uma fase muito favorável graças aos quadrinhos. Valem ser citados também: As Aventuras do Anjo, Charlie Chan, Pinduca, Os Sobrinhos do Capitão, Popeye, Pica-Pau, Pernalonga, Pimentinha, Luluzinha e Bolinha.   

                Rin Tin Tin - Ebal                        Rin Tin Tin - Dell                            Lassie - Ebal
                          
                                Os três gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis
 

## Tarzan foi um caso especial. O herói, criado por Edgard Rice Burroughs, já fazia sucesso há muito tempo e, enquanto aparecia nos vários filmes estrelados por Johnny Weissmuller (desde a década de 1930), Lex Barker e Gordon Scott, brilhava nos quadrinhos, em gibis que reproduziam em suas coloridas capas, expressivas e elaboradas fotos desses astros, a maioria delas retratando cenas de seus inúmeros filmes. Há pouco tempo consegui catalogar 49 filmes sobre Tarzan, entre longas metragens mudos e com som, considerando também animações, e tenho informações de um outro lançamento em curso (2016).

 
                  Tarzan - Dell, Capa Gordon Scott                        Tarzan - Ebal,  Capa Lex Barker
                                       
                              Ambos os gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis

Tarzan é um exemplo típico de personagem duradouro. Passou incólume por décadas e décadas do século XX e, até hoje, é cultuado como um dos grandes heróis dos quadrinhos, tendo sido personagem, também, de vários filmes e seriados protagonizados por outros astros além dos três já citados. Mesmo com o aparecimento de inúmeros outros heróis, inclusive dos imbatíveis super-heróis interplanetários, dotados de poderes incomuns, Tarzan ocupa, até hoje, uma lugar muito especial na mente de todos aqueles que amam os quadrinhos.

Inúmeros desenhistas dedicaram-se a desenhá-lo, e Tarzan, nos quadrinhos, atravessou os últimos setenta ou oitenta anos alegrando seus leitores (a história de Tarzan já fez 100 anos em 2012). A poderosa Disney, já em tempos mais recentes, produziu um popular desenho animado sobre suas aventuras na selva africana, o que o tornou ainda mais conhecido pelas gerações mais jovens. 

## A quadrinização de filmes, principalmente no gibi Cinemin, foi outro grande sucesso nesse período: década de 1950 e mesmo no início dos anos 60Cinemin cumpria um papel interessante nessa época, ou seja, era uma espécie de DVD ou Blu-ray, ou mesmo das hoje super-ultrapassadas fitas VHS, pois não havia como "rever" um filme qualquer, a não ser pelas páginas desses gibis, já que demoravam a ser reapresentados no cinema e havia pouca possibilidade de aparecerem na TV. 

Alguns anos mais tarde, como veremos mais adiante, já na década de 1960, a Editora Ediex lançou uma série de gibis, mas não mais quadrinizados, e sim com fotos em preto-e-branco dos filmes, cujos gibis alcançaram grande sucesso junto ao público. Neste site há inúmeros desses gibis publicados no módulo "Produtos - Acervo", com comentários.

Editado pela Ebal, Cinemin publicou, desde o início da década, uma extensa lista de filmes conhecidos, com muito boa qualidade gráfica - cujos desenhos, muitos a cores, vinham de originais americanos - entre eles: Helena de Tróia, Moby Dick, Os Cavaleiros da Távola Redonda, Ben-Hur, Os Dez Mandamentos, Da Terra Nascem os Homens, Duelo de Titãs, Orgulho e Paixão, Gatilho Relâmpago, Rio Bravo - Onde Começa o Inferno, Rastros de Ódio, Marcha de Heróis, Alexandre o Grande e Um de nós Morrerá.  

 
                               Gatilho Relâmpago                                Marcha de Heróis - John Wayne / 
                                    Glenn Ford                                                       William Holden
 
                                      
                                    Ambos os gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis
 

## Outras editoras procuravam atuar no mercado, além da Ebal e RGE que, seguramente, o dominavam. A La Selva Editores já havia alcançado grande sucesso com Aventuras Heróicas, publicação lançada em 1954 e que trazia a quadrinização de romances famosos de autores brasileiros, como: Iracema, O Guarani, e outros. Mais tarde especializou-se em quadrinhos de terror/horror, com um público bastante específico, cujas publicações tornaram-se muito populares. 

## Um detalhe também digno de registro era a qualidade das capas dos quadrinhos dessa época. Quando não traziam desenhos bastante ricos e a cores - alguns são verdadeiras pinturas - reproduziam, como já citado, fotos de atores populares, muitas vezes em cenas de filmes e séries de TV. Como exemplo, podem ser lembradas as capas de Zorro, Lassie, Rin-Tin-Tin, Roy Rogers, Flecha Ligeira, Hopalong Cassidy, Nevada (Red Ryder), Rocky Lane, Gene Autry, Reis do Faroeste, Aí Mocinho!, O Herói, Superxis, Cinemin e, é claro, Tarzan.

                                         
                                          Algumas Capas - Verdadeiras obras de arte  
 
                      Flecha Ligeira - RGE                                       Hopalong Cassidy - La Selva
                                 

                                     Ambos os gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis   

## Inúmeros outros heróis, principalmente aqueles do Velho Oeste americano povoavam as páginas desses gibis nessa época. Entre eles, podemos citar: Buck Jones, Tim Holt, "Wild" Bill Elliott, Billy The Kid (Bill Kid ou Billy Kid), Matt Dillon, Bill Dinamite, Kid Colt, Rex Allen, "Wild" Bill Hickok, Davy Crockett e Daniel Boone

 
                             Rex Allen - Ebal                                                   Kid Colt - La Selva
                                    
                                  Ambos os gibis são do meu acervo: https://70-anos-de-gibis
 

## Personagens secundários, geralmente incluídos para completar as páginas dos gibis, caíram no agrado do público infanto-juvenil e muitos deles, por sua qualidade e grau de aceitação, contribuiam, também, para a procura desses gibis, como é o caso, entre outros, de: 

- "O Escaravelho Azul" (já citado) nos gibis do Capitão Marvel; 

- "Irmãos de Lança" e "Turok", criados por Gaylord DuBois (e que nos USA tinham gibis individuais e eram desenhados por Jesse Marsh e Russ Manning, dois verdadeiros "monstros" dos desenhos), ambos no gibi do Tarzan; 

- "Arqueiro Verde" no gibi Superman; 

- "Castorzinho" no gibi Nevada (Red Ryder, Bronco Piller); 

- e "Falcão Ligeiro" no gibi Zorro (The Lone Ranger)

- No gibi O Pato Donald tínhamos, com certa frequência, a presença de Hawita, um simpático indiozinho, do cachorrinho Banzé e dos esquilos Tico e Teco, entre outros.

 
                                                      No gibi Nevada (Ebal) - Castorzinho 
                         
                                             
             Gibi de meu acervo: https://70-anos-de-gibis                         www.google.com
 
                                    
                  No gibi O Pato Donald - Ed.Abril
                                          Hawita                                   e                         Banzé                                                                
                                                                          
                      /album/galeria-de-fotos/hawita-o-pato-donald-1952-jpg/                        
                                                 ludy-quadrinhosdisney.blogspot.com.br
 

## Consolida-se no final da década, a parceria Hanna Barbera, nos USA, configurando-se como uma poderosa produtora de quadrinhos, histórias infantis, seriados de TV e filmes. Os personagens criados - Zé Colmeia, Catatau, Pepe Legal, Babalu, o Leão da Montanha, a Turma da Corrida Maluca, Manda Chuva, Lippy e Hardy, e dezenas de outros, passaram a fazer parte do mundo mágico da meninada na época, adentrando pela década de 1960, com grande penetração. 

                                                                                Hanna-Barbera
 
                               O Leão da Montanha                                               Manda-Chuva e sua "gang"

                 

                                                                   https://maroma.wordpress.com
 

## E é exatamente no final dos anos 50, segundo semestre de 1959, que surgem os primeiros desenhos de um cartunista brasileiro, Maurício de Sousa, até então desconhecido do público, apresentando os personagens Bidu e Franjinha, e que fariam grande sucesso. Nas décadas seguintes, como veremos, Maurício de Sousa desenvolveu uma série de outros personagens, transformando-se no principal produtor de histórias em quadrinhos brasileiras, disseminando seus agradáveis personagens infantis pelo mundo todo. 

 
                                      Bidu e Franjinha, do brasileiro Maurício de Sousa
 
                                         
                                                     https://opoderosoresumao.com
 

Abaixo, um resumo de personagens - com suas respectivas idades em 2019 - surgidos na década de 1950:

  69 anos (1950) - Recruta Zero, Charlie Brown, Snoopy, Jace Pearson (Texas Ranger)
  68 anos (1951) - Cisco Kid - versão quadrinhos (*), Irmãos de Lança, Pimentinha (Dennis)
  67 anos (1952) - Professor Pardal
  66 anos (1953) - Picolino (Chilly Willy), Speedy González, Jerônimo (Herói do Sertão)
  65 anos (1954) - Jerry Spring, Águia Negra (Sir Falcon), Diabo da Tasmânia (Taz), Turok, 
  64 anos (1955) - Banzé
  62 anos (1957) - Brasinha, Paladino do Oeste (Have gun will travel), Jambo e Ruivão (Ruff and Reddy)
  61 anos (1958) - Humpa-pá, Zé Colmeia e Catatau, O Homem do Rifle, Dom Pixote (Huckleberry Hound)
  60 anos (1959) - Bidu, Franjinha, Asterix, Obelix, Pepe Legal (Qwick Draw McGraw), Turma do Pererê, Supergirl, Sgt. Rock 
(*) - consta que Cisco Kid surgiu em "book", em 1914, assim, teria 105 anos !!!
 

Conclusão:

Os anos  50, de certa forma, foram especiais para o Brasil, no segmento dos quadrinhos. Talvez pelo momento que vivia o país, a exemplo de muitos outros países, visto que a década anterior foi uma das mais difíceis que o mundo já enfrentou em decorrência do conflito mundial, havia uma contagiante euforia em relação ao futuro. E os quadrinhos, uma forma de lazer, foram inseridos nesse contexto, com o aproveitamento desse "espírito construtivo", integrando-se à vida de cada um, principalmente os mais jovens. 

E, aos poucos, o Brasil, deixava para trás a ideia de um "país essencialmente agrícola". Caminhávamos a largos passos para a industrialização, com um grande contingente populacional dirigindo-se para os centros maiores, portanto, candidatando-se ao acesso às novidades, a produtos que antes não consumia, entre eles, evidentemente, os gibis e as publicações de toda natureza. 

Foi um período áureo para os quadrinhos no Brasil, em que EbalRGE, Editora Vecchi, Editora O Cruzeiro e Editora Abril, além de outras, entregavam diariamente às bancas, inúmeros novos exemplares e também lançavam, constantemente, novos personagens e novos gibis/revistas. Claro que não podemos comparar sua qualidade com as edições de agora, mas para a época, isto não fazia muita diferença. Era o que nos disponibilizavam e estávamos plenamente satisfeitos !!!

Foi uma época que realmente fez história !!!                                              

Terminava, assim, um período dos mais significativos para os quadrinhos no Brasil. 

Os anos 60 estavam chegando e muita coisa boa viria pela frente ... com certeza !!!

 
 
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::///////////////////////////////////////::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
 

- FIM DO MÓDULO

- CONTINUA NO MÓDULO: Breve Histórico sobre GIBIS - Década de 1960.

 
 

- contatos: e-mail - e70anosdegibis@yahoo.com