Breve Histórico sobre GIBIS - Brief History About COMIC BOOKS

- Década de 1980 e posteriores (1980's and later)

Autor: Afonso - e-mail de contato: e70anosdegibis@yahoo.com

Os primeiros registros neste módulo ocorreram em 03/2014.

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 Fev 2020 - Concluso  

 

 
- Brasil - Anos 80 - Revolução das Telecomunicações
https://super.abril.com
 
 
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Introdução:

 

## Os anos 80 foram, comprovadamente, um período difícil para os brasileiros. 

O governo militar já dava sinais de que não duraria muito tempo, até pela pressão popular de eleições diretas. A economia brasileira também não ia bem, a inflação atingia níveis preocupantes, os juros encontravam-se em rota ascendente e os investimentos se reduziram de forma acentuada. Isto se refletia em praticamente todas as atividades e não poderia ser diferente com os quadrinhos. Aliás, havia muito pessimismo na época e as pessoas estavam muito mais preocupadas em como sobreviver do que em se divertir, em comprar um gibi e apreciar sua arte. 

Uma das áreas que felizmente cresceu a níveis expressivos na década de 1980, foi a de Telecomunicações, onde se registrou uma verdadeira revolução, com as empresas governamentais: Telebrás e Embratel comandando um "milagre" no Setor, cujos resultados se fazem sentir até hoje, com o Brasil totalmente integrado às mais modernas tecnologias e práticas, nada devendo a outros países. É ainda mais significativo esse aspecto, se considerarmos que as Telecomunicações, em todo o mundo, são indutoras de desenvolvimento em todas as demais áreas.

Os quatro primeiros anos da década foram de intensa discussão sobre a governabilidade do país, indefinida desde o processo de anistia aos que tinham acusações contra si, de ambos os lados, em decorrência do conflito ideológico surgido com o movimento revolucionário de 31 03 1964. O povo clamava pelas "Diretas já", o que foi conseguido, e Tancredo Neves foi eleito o Presidente da República, mas acometido de doença fatal, faleceu antes de sua posse, em abril/1985, o que levou seu vice: Sarney, a assumir a Presidência.

Foram anos difíceis, com alta inflação e planos econômicos ineficazes que, longe de trazerem resultados positivos, acabaram por penalizar a população. A década de 80 passou, historicamente, não só no Brasil, mas em toda a América do Sul, a ser conhecida como "A Década Perdida", um período em que  - econômicamente - não crescemos, na verdade estagnamos e, sob determinados aspectos, tivemos até um retrocesso. Raros foram os nichos de crescimento.

 

Abordagem: 

 

## Evidentemente, na área de editoração de livros, revistas e gibis, particularmente de gibis, não foram menores as dificuldades, impostas, principalmente, pela queda no consumo das famílias, em que pese ainda haver condições razoáveis de crédito no país. 

# As séries de TV e seus gibis já não apresentavam a mesma performance das duas décadas anteriores, exceto Gunsmoke cujos gibis ainda eram bastante procurados e Jornada nas Estrelas (Star Trek), esta, um verdadeiro fenômeno de popularidade.

 
- Imagens de Star Trek (Jornada nas Estrelas)
1 - 2 - Gibis americanos
1 - www.amazon.com
2 - https.etsy.com
 
 
 

# A Editora Vecchi, tentanto relembrar os áureos tempos do Velho Oeste americano, lançou, em janeiro de 1980, o gibi em grande formato: Fort Navajo, originário da França, com aventuras do Tenente Blueberry, escritas por Jean-Michel Charlier e desenhadas por Jean Giraud, mais conhecido por Moebius ou GIR. Foi um gibi que alcançou grande sucesso, não só pela competência do argumentista Charlier, mas também pelos belíssimos desenhos de Jean Giraud, extremamente fiéis ao ambiente em que as histórias se situam: o Velho Oeste americano. São gibis que tiveram grande sucesso na Europa: Bélgica, França e Itália - e, de uma forma especial, em Portugal, onde até hoje há grande procura por seus exemplares. 

 

- Um desenho primoroso, de alta criatividade, de Jean Giraud, usando o preto-e-branco                                

- e, também de Giraud, capa do gibi Fort Navajo, nº 01                                                              

                                       
 www.pinterest.com                                                         
 Gibi do minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com
 
                                                                                                          

## Tendo como inspiração o western spaghetti "O Grande Silêncio" de 1968, dirigido por Sergio Corbucci, o belga Yves Swolfs desenvolve o personagem Durango, lançado em 1981, calcado no papel vivido por Jean-Louis Trintignant - "Silence", com desenhos primorosos. É impressionante a capacidade produtiva e a criatividade franco-belga nos quadrinhos, observando-se que, desde TinTim, de Hergé, inúmeros personagens foram criados, cada um com sua característica própria, mas todos, sem exceção, com enorme carisma e grande riqueza de caráter, produzindo exemplos edificantes. Durango demoraria anos para chegar ao Brasil, mesmo assim nos chegou via gibis produzidos em Portugal. 

 
- Abaixo, um quadrinho de Durango, que dispensa comentários. É uma cena cinematográfica, simplesmente perfeita. Arte de Yves Swolfs                     
Imagem extraída de gibi de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com
 
                                          
 

## As editoras brasileiras tentaram, com esforço, lançar gibis até interessantes, como foi o caso de "Aventura e Ficção" e "Storm" da Editora Abril, e "Clássicos da Década - Anos 80" da Ebal, mas havia uma certa inércia por parte dos leitores, isto é, não conseguiram ver claramente os produtos de alta qualidade que tinham à frente e, infelizmente, eles passaram meio despercebidos. 

Em Clássicos da Década há um dos exemplares com uma formidável aventura do Sargento Rock, magistralmente desenhada por Joe Kubert, em cuja história surge ninguém menos que o Superman (este gibi está publicado neste site no módulo "Produtos - Acervo" e faz parte dos destaques de "Momentos Mágicos dos Gibis"). 

A Ebal, em suas derradeiras tentativas nessa época difícil, lançou o gibi Reis do Faroeste no formato e na mesma linha de Epopéia Tri da década de 1970, com histórias parecidas com as belas aventuras da Storia Del West (criação do italiano Gino D'Antonio), mas agora produzidas por Sérgio Bonelli, com belos desenhos de Franco Bignotti. Lamentavelmente em que pese a qualidade dessas edições, o Velho Oeste já não empolgava tanto os jovens leitores que vinham surgindo, e sua duração foi curta.

 
 
- Clássicos da Década - Ebal - c/Sargento Rock                         
- Reis do Faroeste - Ebal - Série Estrela Negra                                   
ESTRELA NEGRA - série da coleção REIS DO FAROESTE - Ebal - nº 12 -  Fevereiro 1981 - de Sergio Bonelli
Ambos os gibis são de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com  
 
 
 
- Mundo de Aventuras, de Portugal 
                                                                                       
https://ogatoalfarrabista.wordpress.com

 

 

## Vale registrar mais uma vez, e o faço com grande admiração, a verdadeira paixão que se percebe por parte de nossos irmãos portugueses, em relação aos quadrinhos - a chamada BD (Banda Desenhada) - com incontáveis e preciosas publicações de autores de todas as origens, inclusive publicações na forma de gibis-revistas como O Mosquito e Mundo de Aventuras, entre outras, vindas de décadas anteriores, contendo reportagens, entrevistas, informações diversas e ... quadrinhos !!! 

Portugal sempre publicou, em edições de comprovada qualidade, os grandes criadores franco-belgas dos quadrinhos, podendo-se evidenciar o pioneirismo ocorrido em relação a TinTim, de Herjé, quando Portugal, ainda na década de 1930, foi um dos primeiros países a publicá-lo.

## Asterix & Obelix, Lucky Luke, Humpa-pá (ou Umpa-pá), Os Túnicas Azuis, Comanche e Blueberry (Fort Navajo), grandes representantes da chamada "Banda Desenhada Franco-Belga" venderam muitos exemplares na década, no Brasil, numa espécie de "descobrimento" ou mesmo de "redescobrimento" de alguns personagens. Outra importante "descoberta" foi de Ken Parker, desta vez oriundo da Itália

Portugal continuou, na década, a editoração de belos exemplares de gibis, notadamente aqueles de personagens criados pela citada BD Franco-belga, com inúmeras publicações de reconhecida qualidade. 

 

## A irreverente e criativa turma brasileira de cartunistas, composta por Millor, Jaguar, Ziraldo, Angeli, Laerte, Glauco, Adão Iturrusgarai e outros, continuava a todo vapor, com seus personagens marcantes, de grande identificação com o público e que, com uma fina e ferina ironia, faziam a alegria dos leitores.  

    

- Abaixo, um exemplo da criatividade e da irreverência dos cartunistas brasileiros - Los Tres Amigos, de Angeli, Glauco e Laerte.                     E, 

Reprodução de cartaz de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com

 

 

Abaixo, Geraldão - nº 1, de Glauco

Capa de gibi de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com

 

 

## Sobre os super-heróis, merecem, sem dúvida alguma, um registro especial, Super Homem (Superman) e Batman, que foram obtendo a crescente simpatia de novos leitores que surgiam a cada dia, transformando-se em casos raros de gibis que sobreviveram (e ainda sobrevivem) a décadas de editoração. 

 
- Superman                                                       
- Batman

  

 Ambos os gibis são do minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com                      

 

 

## Outro personagem que, como Superman e Batman, demonstra incrível capacidade de sobrevivência é TEX, o "Ranger do Texas", na verdade criado na Itália, no final da década de 1940, por Bonelli Galleppini  -  já abordado em inúmeros outros momentos neste site  -  e que continua "cavalgando soberano pelas pradarias", incólume às ameaças de toda ordem e ganhando novos leitores a cada dia. É realmente um fenômeno e, curiosamente, foi a partir dos anos 70/80 que TEX consolidou sua presença em terras brasileiras. TEX hoje é publicado em inúmeros países, por diversas editoras, em preto-e-branco e a cores, e em formatos os mais diversos. 

 
- Dois momentos singulares da longa história de TEX no Brasil:
                                      
1. Um belíssimo exemplar de TEX, ainda dos tempos da antiga Editora Vecchi - 1980  - Arte de Galleppini 
          
2. E a página 45 de TEX - Edição Colorida - nº 8 - fev/2017 - Arte de Sergio Tisselli                                                                   
 
Ambas as imagens são de gibis de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com
 
 

## E "Jornada nas Estrelas" (Star Trek) continuava sua trajetória de grande sucesso, inclusive nos gibis. Curioso que, na verdade, a saga "Star Wars" surgida na década anterior, levou multidões aos cinemas e, sem dúvida, Star Trek acabou sendo beneficiada também por esse sucesso, quando se estabeleceu uma espécie de "comparação" (na verdade, como já comentei no tópico dos anos 70, uma sadia competição).

 
- Star Trek (Jornada nas Estrelas) - Gibi Brasileiro, 1992
HQ* - STAR TREK - Jornada nas Estrelas - Ed. Abril Jovem - nº 9 - Julho/1992 - de Gene Roddenberry
Gibi de minha gibiteca - https://70-anos-de-gibis.webnode.com
 

Anos Posteriores, a partir da Década de 2000:

                                                                       

## Assim, dentro dessa evolução natural,e já utilizando inclusive os recursos da computação, é que surge no Brasil, nos anos finais do século XX, o chamado "mangá", nada mais que o velho gibi modernizado sob a ótica e os costumes japoneses, cujos desenhos de alto nível, tanto de criação quanto de composição, fizeram e continuam fazendo enorme sucesso em todo o mundo, principalmente junto ao público jovem. 

## Na esteira de TEX, a Bonelli (Itália) vem publicando, ao longo dos últimos anos, Mágico Vento, um herói do Velho Oeste (um índio), criado por Gianfranco Manfredi, em 1997, com poderes sobrenaturais, uma "mistura" interessante que vem proporcionando considerável sucesso para o gibi, além de publicar o cativante personagem "Mister No", criado pelo próprio Sérgio Bonelli, em 1975, sob o pseudônimo de Guido Nolitta

No Brasil, atualmente, quem edita TEX, Mágico Vento e Mister No, é a Mythos Editora. Os dois primeiros personagens - TEX e Mágico Vento - de uma forma até nostálgica, são os últimos representantes do Velho Oeste, em terras brasileiras. Mister No, extremamente carismático, tem seu público muito bem definido e fiel, apesar de que, para nossa tristeza, me chegaram informações (em 2018) de que estaria sendo suspensa sua editoração no Brasil.

 
 
Abaixo, a figura soturna de Mágico Vento                             
- E Mister No (Arte de Roberto Diso)
                                                                                         
  
Mágico Vento: www.devrimkunter.deviantart.com     
Mister No: Imagem da contra-capa de gibi de minha gibiteca - https://70-anos-de-gibis.webnode.com
  
                                                                          
 

## E, também no Brasil, uma heroína calcada nas grandes personagens da selva - lembrando Sheena, Nyoka, Tiger Girl, Lorna, Rima, Tygra (todas já publicadas neste site), etc (*) - surgiu por volta de 2005, com um forte viés erótico. Trata-se de Jaguara, uma poderosa índia da selva amazônica, tida como "guerreira e soberana", e que teve um gibi ricamente ilustrado por seu criador - Altemar Domingos - num trabalho muito interessante. Tenho informações sobre uma sequência, mas ainda estou pesquisando a respeito. 

A propósito, na década de 1950, surgiu na Alemanha (no cinema) uma heroína das selvas, na mesma linha de todas as já citadas: Liane, a Selvagem (Liane, Jungle Goddess,1956) que aparecia praticamente nua, assim como Jaguara, 50 anos depois. Pesquisei sobre Liane, mas só encontrei filmes, não há referências a gibis (quadrinhos). Seguem, abaixo, três imagens da desconhecida Liane (a atriz Marion Michael, de uma rara beleza).

 
 
- Liane - Cartazes, 1 e 2                                         
- Marion Michael - uma foto 
 
As três imagens: www.google.com
 
 
 

(*) há uma infinidade de heroínas das selvas. Encontrei um interessante site a respeito, que indico aos internautas: https://www.gwthomas.org/junglegirllist.htm que poderá clarear um pouco esse rico universo de "defensoras da verdade e da justiça no coração das selvas" ...

 
 

- Uma das representantes da "equipe feminina" das Selvas: Rima - Belos Desenhos de Joe Kubert e Nestor Redondo

- E o gibi da Via Lettera Editora: Jaguara - Guerreira e Soberana (gibi brasileiro !!!)                                 

Rima - Imagem cedida pelo internauta Luis Peix                                     

Jaguara - Gibi de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com    

  

                                                                                            

 

## O fato é que poucos personagens vêm surgindo nos últimos tempos, sendo a maioria personagens importados, constituindo-se, muitos deles, apenas em uma nova abordagem de antigos heróis, mas todos dentro de uma nova e moderníssima ótica, cujos desenhos apresentam - graças à computação - um nítido sentido de movimentação, praticamente impossível de ser obtido em desenhos mais antigos. Podemos citar como representantes desse grupo, entre outros: Cavaleiros do Zodíaco, Conan (revisão), Vagabond, Samurai X, Guerreiras Mágicas de Rayearth, Sentry - O Sentinela, Star Wars e X-Men. Também em caráter de revisão, podemos citar: Thor, Hulk, Capitão América e Homem de Ferro; e mesmo Batman, Homem-Aranha e Superman, em novas e cuidadas edições/reedições. 

 
Gibis de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com

 

                                                                                              

Nos dias atuais, a Panini Comics - editora de origem italiana - mais conhecida pela edição de álbuns de figurinhas de alta qualidade, vem atuando fortemente no Brasil, publicando os gibis das gigantes Marvel e DC, além de outras, com produtos de alto nível, luxuosas encadernações, papel da melhor qualidade e impressão primorosa. Esses muito bem elaborados gibis acompanham a chamada "onda" dos super-heróis no cinema, com frequentes novidades, isto é, a todo momento surge um novo filme de um grande super-herói.  

## Um crescimento impressionante foi observado em relação à produção de Maurício de Sousa, um brasileiro que, conforme já registrado neste site em momentos anteriores, dedicou-se aos quadrinhos, criando uma quantidade enorme de personagens infantis e que, nos últimos tempos, inovou, lançando gibis desses mesmos personagens mas já adolescentes, chegando à idade adulta, como forma de manter sua identidade com aqueles pequenos leitores de anos atrás que cresceram, evidentemente. Maurício tem uma criatividade sem precedentes e vem conseguindo novos pequenos leitores a cada dia.

 
 
- Vejam como se conta uma história em dois quadrinhos:

Publicado pelo jornal "O Estado de São Paulo" em 16/04/2016
 
 
 
 

## Nos últimos tempos, mais precisamente a partir de 2013, o desenhista Primaggio Mantovi, italiano, radicado no Brasil, num enorme e bem sucedido esforço editorial, vem produzindo belíssimos Almanaques de Rocky Lane, além de outros gibis (Reis do Western, Cine Quadrinhos), constituindo-se em um momento singular do gibi em terras brasileiras. Primaggio conhece profundamente a história de Rocky Lane, tanto no que se  refere aos gibis quanto aos inúmeros filmes estrelados por Allan "Rocky" Lane, o cowboy da camisa listrada, que fazia a alegria da garotada da década de 1950 (na qual me incluo). Além disso, possui muito conhecimento sobre Zorro (The Lone Ranger), Flecha Ligeira, Don Chicote, Tim Holt, Roy Rogers, e outros, e sobre as inúmeras séries de TV exibidas nos canais brasileiros nas décadas de 1960/70.  

                                               

## Espera-se realmente que essas publicações - tanto dos velhos quanto dos novos heróis - continuem no agrado do público, de forma que possa ser ampliada sua tiragem, mantendo-se viva a chama dos quadrinhos, fortemente impactados hoje pelo uso generalizado das novas tecnologias, que facilita o acesso de leitores a mídias até pouco tempo desconhecidas, as quais, a rigor, dispensariam o uso do papel e, portanto, o manuseio dos gibis. 

- Isto nós não queremos! 

- Queremos, sim, o gibi-papel

- Que se implantem novas tecnologias, mas que se mantenha a publicação em papel!

 
 
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Apêndice: um resumo de personagens - com suas respectivas idades em 2019 - surgidos na década de 1980 e seguintes:

 
  39 anos (1980) - Durango, O Menino Maluquinho, Storm
  38 anos (1981) - Geraldão
  36 anos (1983) - Piratas do Tietê
  35 anos (1984) - Rê Bordosa, Bob Cuspe, Skrotinhos, Wood & Stock
  32 anos (1987) - Los 3 Amigos
  26 anos (1993) - Aline  
  22 anos (1997) - Mágico Vento 
  14 anos (2005) - Jaguara
  
 

Conclusão:

 

## Comprovadamente houve uma verdadeira revolução nos quadrinhos a partir dos anos 70/80, com uma forte tendência de se editar gibis predominantemente a cores. É claro que foram estabelecidos padrões de qualidade bastante superiores aos vigentes até então, Qualidade do papel, da impressão, em álbuns melhor elaborados, e desenhos a cores, foram os principais itens considerados. Os antigos gibis em "papel-jornal" e com desenhos em preto-e-branco foram perdendo força. 

Consolidaram-se vários heróis, alguns quase desapareceram, depois voltaram (alguns com grande força), outros surgiram, enfim, podemos afirmar que os quadrinhos enfrentaram galhardamente um período de grandes dificuldades, de muitas mudanças, mas também de muitas conquistas. Adentramos pelos anos 90 e no século XXI com muita coragem, grande determinação e reconhecida criatividade

As novidades editoriais que surgem a todo momento nos dão, felizmente, a certeza de que os quadrinhos possuem uma característica que lhes é peculiaríssima: a incrível capacidade de adaptação e sobrevivência.

Como exemplo dessa afirmativa, posso citar que, há pouco tempo adquiri, entre outros vários gibis, uma primorosa edição de Zorro (capa e espada) da Panini e, alguns dias depois, três exemplares de uma especial publicação de Tarzan, da Devir Livraria, com desenhos de Joe Kubert, além de outras três maravilhosas reedições da Ediouro de O Fantasma, e outras duas de Mandrake. São acontecimentos como esses que nos impelem para a frente, acreditando sempre na incrível força dos gibis. 

## E, para nossa alegria, nestes tempos quase exclusivos dos "super-heróis", o cartunista/desenhista Primaggio Mantovi - em caráter muito especial - continua editando regularmente alguns gibis voltados especificamente para os antigos heróis do faroeste, incluindo seus espetaculares Almanaques Rocky Lane - que contêm histórias, também, de vários outros heróis do Velho Oeste -  havendo, pelo que sei, planos para edição de outros gibis, até mesmo filmes antigos quadrinizados o que considero uma notícia das melhores.  

OBS.: 

1) Registro feito já em 2017: Primaggio lançou o novo gibi em 2016, com o título "Reis do Western" e já editou em 2017, um segundo número com o título de "Almanaque Reis do Western". Vejam a publicação feita no módulo "Produtos - Acervo", de ambos os gibis, com vários detalhes. 

2) Registro feito em nov/2018: Primaggio lançou o gibi Cine Quadrinhos que já se encontra em seu terceiro número!!!

 
 
 
- Vejam o Almanaque Rocky Lane - nº 02 - 2013  - Produção de Primaggio Mantovi     
- E o Almanaque Reis do Western 2017 - Produção de Primaggio Mantovi
REIS DO WESTERN - Almanaque - Ed. Laços - 2017
Ambos os gibis são de minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com    
                                  
  
                                   
 

## Mas é preciso admitir que os gibis sobre o Velho Oeste estão em baixa, infelizmente. Exceção para TEX, o valoroso Ranger do Texas, batalhador incansável !!! 

Cuidadosas edições de TEX, com papel de alta qualidade e magnífica impressão, têm sido lançadas com ilustrações de altíssimo nível, em preto-e-branco e a cores, várias delas rememorando gibis antigos lançados originalmente em preto-e-branco. É incrível a força que tem TEX de extrair o melhor de seus desenhistas. Percebe-se claramente a verdadeira paixão que desenhistas como Claudio Villa Fabio Civitelli, apenas para exemplificar, têm pelo personagem, certamente um dos motivos da longa e profícua existência do herói, algo muito parecido com o que sentia Aurelio Galleppini, seu desenhista original.

O fato é que TEX tem que lutar muito !!! Os super-heróis inter-galáticos não dão chance para ninguém !!! Ocupam todos os espaços !!!

 

Algumas considerações sobre os filmes de faroeste:

 

E o faroeste padece, mesmo com o cinema (sempre ligado aos quadrinhos) insistindo bravamente nas últimas décadas, com alguns filmes de muito boa qualidade, outros nem tanto, como: 

 
1980 - 7 produções
 

- Tom Horn, 1980 - um grande esforço de Steve McQueen; 

- Os Cavaleiros da Sombra, 1982 - belo western para a TV com Tom Selleck e Sam Elliott;

- Silverado, 1985 - Lawrence Kasdan fazendo ressurgir o Velho Oeste; 

- O Cavaleiro Solitário, 1985 - Clint Eastwood inspirando-se em "Shane". Muito bom !!! 

- Texas, 1986 - com Sam Elliott vivendo Houston, herói do Texas (filme para a TV); 

- No Rastro da Violência, 1987 - novamente Sam Elliott em bom western para a TV;

- Jovens Pistoleiros, 1988 - a saga de "Billy The Kid" e seu bando. (*)

 
 
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1990 - 15 produções
 

- Jovens Demais para Morrer, 1990 - continuação do filme de 1988, ao som de Bon Jovi;

- Dança com Lobos, 1990 - trabalho tecnicamente perfeito de Kevin Costner na direção;

- Contratado para Matar, 1990 - um grande faroeste de Tom Selleck, na Austrália; 

- Os Aventureiros do Oeste, 1991 - mais um bom faroeste para a TV, com Sam Elliott;

- Os Imperdoáveis, 1992 - Clint Eastwood ganhando o Oscar: grande western !!!;

- Tombstone - A Justiça está chegando, 1993 - belo western. Uma aventura empolgante; 

- Gerônimo, Uma Lenda Americana, 1993 - Jason Patrick e Wes Studi, em grande filme !!!

- Wyatt Earp, 1994 - Costner no bom western de Lawrence Kasdan; 

- Na Trilha dos Desesperados, 1994 - mais um western para a TV, com Sam Elliott;

- Wild Bill - Uma Lenda do Oeste, 1995 - Jeff Bridges em grande interpretação; 

- Cavaleiros do Crepúsculo, 1996 - Ed Harris num bom western feito para a TV; 

- A Última Conquista, 1997 - um western vigoroso para a TV, com Tom Selleck;

- O Purgatório, 1999 - Sam Shepard em outro bom western feito para a TV; 

- O Último Xerife, 1999 - Sam Elliott em um bom momento (outro filme para a TV); 

- Justiça de um Bravo, 1999 - John Cusack em um bom faroeste.

 
 
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2000 - 8 produções
 

- Rastros de Vingança, 2001 - um ótimo momento de Tom Selleck em western para a TV;

- Pacto de Justiça, 2003 - grande western !!! Novamente Costner (c/ Robert Duvall); 

- Monte Walsh, 2003 - novamente Tom Selleck, em bom western, também para a TV; 

- Duelo dos Homens sem Lei, 2005 - Lee Majors e James Drury - vale apenas pelos velhos atores, nada mais;

- À Procura da Vingança, 2006 - Pierce Brosnan e Liam Neeson, em western mediano;

- Os Indomáveis - (3:10 to Yuma), 2007 - bela refilmagem de "Galante e Sanguinário"; 

- Enterrem meu Coração na Curva do Rio, 2007 - TV filme, sobre Wounded Knee, c/Aidan Quinn;

- Apaloosa - Uma Cidade sem Lei, 2008 - grande western c/Ed Harris e Viggo Mortensen. 

 
OBS 1: Jeff Bridges atuou, ainda, em Crazy Heart, 2009 - Coração Louco, sobre um cantor country. Não é um western.
 
 
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2010 - 7 produções
 

- Bravura Indômita, 2010 - Refilmagem. Jeff Bridges e Irmãos Coen em grande produção;

- Django Livre, 2012 - surpreendente trabalho de Tarantino;

- A Salvação, 2014 - ótimo faroeste dinamarquês, filmado na Austrália !!!;

- Os 8 Odiados, 2015 - outra vez Tarantino com um bom filme; 

- Rastro de Maldade, 2015 - Kurt Russel em western-horror de extrema violência;

- 7 Homens e um Destino, 2016 - Refilmagem. Um grande espetáculo !!! 

- Hostis, 2017 - um western de bom nível, envolvendo questões indígenas.

 
OBS 1: Em Lançamento: Badland, 2019 (Canadá)
OBS 2: Em Produção: Nothing, Arizona, 2022 ? (USA)
 
 

(*) não considero "Jovens Pistoleiros" e "Jovens Demais para Morrer" grandes westerns, mas, seguramente foram um marco naquele momento, por estabelecerem uma nova forma de se enxergar o Velho Oeste

OBS.: Deixo de relacionar "Quatro Mulheres e um Destino", de 1994, "Rápida e Mortal", de 1995, "Bandidas" de 2006, "O Assassinato  de Jesse James ...", de 2007, e "O Cavaleiro Solitário - The Lone Ranger", de 2013, porque os  considero, todos, abaixo da crítica. São apenas caça-níqueis !!! Além disso, há filmes como "Jonah Hex", de 2010, e "Cowboys & Aliens", de 2011, que prefiro não abordar, por não se constituirem verdadeiros westerns, isto é, são uma mistura de gêneros, principalmente "fantasia". 

 

Enfim, penso que nestes 40 anos (sim, 40 anos !!!), desde a década de 1980, alguns nomes, em especial, tentaram - e continuam tentanto - elevar o nome do western, mantendo-se sempre fiéis a ele. 

São eles: Clint Eastwood, Kevin Costner, Tom Selleck, Sam Elliott, Lawrence Kasdan, Quentin Tarantino, Ed Harris, Kurt Russell e Jeff Bridges !!!  A eles, minha admiração e meu respeito !!! 

 
 

Três belas imagens desses faroestes  (*)  

- Contratado para Matar - Capa do DVD                             

- Pacto de Justiça  - Capa do DVD                                   

- Tombstone - Bando de Curly Bill Brocius (Powers Boothe, de camisa vermelha, ao centro

As três imagens acima  :  www.imdb.com
 
(*) (não localizei gibis que tenham publicados estes três filmes)

                                                                    

 

Claro que não me iludo em relação a um ressurgimento do gênero western, beneficiando cinema e gibis. Tenho convicção que vivemos uma época completamente diferente daquela que produziu os grandes faroestes. Os tempos efetivamente são outros, os costumes são diferentes, e também as expectativas. Não digo que são melhores ou piores, são "diferentes". É a época dos imbatíveis super-heróis, irmanados em grandes missões de justiça, muito mais adequados às mentes do século XXI. Poderá, evidentemente, surgir um ou outro produto na linha dos "velhos" westerns, e até ter sucesso, mas afirmo sem medo de errar: é praticamente impossível, simplesmente porque o cinema vive de público e as expectativas do público hoje são outras.

 
 
 
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## Voltando às edições mais recentes de gibis, e para finalizar, registro que adquiri, também, um TinTim da Editora Schwarcz, com luxuosa encadernação, vários outros exemplares de TinTim na sua também moderna "encadernação-padrão atual", e um belo exemplar de Superman da Panini. Aliás, tanto Superman quanto Batman, conseguiram, com certa galhardia, atravessarem esse longo período de altos e baixos, até os dias atuais - cerca de 70, praticamente 80 anos !!! E chegaram até aqui de uma forma relativamente tranquila, isto é, graças ao carisma de ambos e dos competentes traços de vários desenhistas e ilustradores, além de terem sido alavancados pelos vários filmes promovendo os dois personagens, o que os mantêm sempre no topo das publicações. 

 

E nossos "velhos" grandes heróis vão, na medida do possível, resistindo ao tempo !!! Vejam abaixo, Mandrake, O Fantasma, Tarzan, TinTim, Superman e Tex, como belíssimos e animadores exemplos ... 

 
 
Da Ed. Ediouro - 2014 - Reedições                                             
- Mandrake                                       
- O Fantasma                              
 
Da Devir Livraria
- O Tarzan de Joe Kubert
     
 
 
 
- TinTim - Ed. Schwarcz                          
- Superman - Panini                          
- O imbatível TEX  - Itália                                     
       
Todos os seis gibis são do minha gibiteca: https://70-anos-de-gibis.webnode.com                      
 

 

 

E belíssimos exemplares de Batman e Superman (reedição com seus principais desenhistas) e de Guerra dos Tronos - um dos mais retumbantes sucessos editoriais e entre as séries de TV - têm sido disponibilizados também.

 

Assim, pelo espírito hoje demonstrado pelas Editoras, pela qualidade das atuais publicações e por uma intensa diversidade de gibis, em que pesem as atuais dificuldades econômicas do país, podemos afirmar: 

 

"GIBIS SÃO ETERNOS !!! "

 

- FIM DO MÓDULO GLOBAL - BREVE HISTÓRICO SOBRE GIBIS

 

 

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MENSAGEM FINAL DE ENCERRAMENTO DO "BREVE HISTÓRICO SOBRE GIBIS" (na verdade, não tão breve assim, acabei produzindo um material longo: são oito tópicos dentro do Módulo)

 
...
 

Caro internauta

agradeço sua visita. Vamos dar um "pause" em nosso histórico sobre GIBIS. 

Poderíamos até dizer que chegamos ao fim.

Mas aqui não é o fim, efetivamente. A história prossegue. Ela é escrita dia-a-dia !!!

Continuaremos juntos. Temos um longo e, espero, agradável caminho pela frente.

A história dos gibis continua e continuará sempre. 

Será escrita pelos incríveis argumentistas, desenhistas e ilustradores que surgem a cada dia, pelas editoras corajosas que investem significativos recursos em sua produção e na promoção dos personagens, e continuará sendo escrita, também, por cada um de nós, leitores e divulgadores dessa eterna maravilha.  

Tenha certeza que você, com seu carinho, sua preocupação e sua atenção aos gibis, também está e continuará contribuindo para preservar a memória dessas incríveis publicações. 

Peço que divulgue este sitehttps://70-anos-de-gibis.webnode.com . 

Como eu digo no início de cada um dos módulos: "este site não tem fins comerciais, é um site cultural". Nunca tive intenção de auferir resultados financeiros com este trabalho. Ele existe apenas para preservar a memória e disseminar a belíssima história de nossos gibis, nossos personagens e seus criadores, nossos desenhistas, ilustradores e roteiristas, e nossos editores.

Agradeço e encerro com um dos mais belos quadrinhos que conheço:

 

- O Príncipe Valente, de Hal Foster                                                           

/album/galeria-de-fotos/hall-foster-magnifico-quadrinho-o-principe-valente-gif/

www.pinterest.com

                                                                 

Muito obrigado pelo seu apoio, 

... até outra hora, 

... entre em contato, 

... dê sugestões ...

abrs., afonso  

(... e lembre-se: "Um gibi o levará por muitos caminhos"). 

 

Permaneça ligado !!!

 

-  Quaisquer mensagens ... para o e-mail:  e70anosdegibis@yahoo.com

 

Lucky Luke, de Morris

 

 

=/= https://70-anos-de-gibis.webnode.com